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A floresta chora: covid mata líder indígena do Alto Rio Negro
Um verdadeiro mesrte se foi

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A Floresta Amazônica e os povos indígenas estão de luto pela morte do líder indígena Higino Pimentel Tenório, da etnia Tuyuka, de 65 anos, vítima da covid-19. Ele falaceu nesta quinta-feira no hospital Nilton Lins, onde estava desde o dia 29 de maio, após chegar a Manaus doente, vindo de São Gabriel Cachoeira.

Higino Tuyuka era um líder respeitado e conhecido como “doutor” da educação escolar, repassando para os povos da floresta as línguas, cantos, histórias e cerimônias indígenas. Ele foi um dos responsáveis pela criação dos 10 Princípios da Educação Escolar Indígena nos anos de 1990, na Comissão dos Professores Indígenas do Amazonas e Roraima (Copiar), que norteou as políticas do Ministério da Educação (MEC) naquela década.

Contribuiu na implantação do Ensino Médio Indígena no Alto Rio Negro, na criação da Comissão de Educação Escolar Indígena do MEC, entre outras contribuições importantes para a concretização da atual política brasileira de Educação Escolar Indígena.

Junto a outras lideranças indígenas, Higino foi um dos fundadores da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) em 1987. Com sede em São Gabriel da Cachoeira, a entidade representa 23 povos indígenas do Brasil e articula ações em defesa dos direitos e do desenvolvimento sustentável de 750 comunidades indígenas em uma das regiões mais preservadas da Amazônia, na tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e a Colômbia. A entidade emitiu nota e disse que Higon sempres estará presente.

O líder indígena também integrava a Associação Brasileira de Arte Rupestre (Abar), entidade interdisciplinar e interepistêmica, dedicada ao estudo da arte rupestre e da história indígena. Com o trabalho na Abar, Higino Tuyuka ganhou reconhecimento internacional como o primeiro investigador indígena da arte rupestre no Brasil.

MESTRE

Higino demonstrava uma mente brilhante que sabia caminhar por diferentes mundos. Embora tenha estudado somente o magistério, Higino foi professor de muitos doutores! Esteve diretamente envolvido com a elaboração de algumas teses da antropologia e convidado como interlocutor de eventos acadêmicos dessa área. Higino também contribuiu muito com a arqueologia, como coautor de artigos, coorientador de pesquisas interculturais da UFAM e consultor de projetos de grande porte coordenados por renomados pesquisadores da arqueologia de diferentes instituições.

Recentemente, foi reconhecido em âmbito nacional como membro honorário da Sociedade Brasileira de Arte Rupestre e internacionalmente como o primeiro pesquisador indígena de arte rupestre no Brasil, pela IFRAO.

 

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