
Uma tentativa de sequestro de uma recém-nascida dentro da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI), provocou grande repercussão e levantou discussões sobre a segurança em unidades hospitalares. O caso aconteceu na última segunda-feira (6) e terminou com a prisão preventiva de uma técnica de enfermagem suspeita de tentar retirar a bebê da maternidade de forma irregular.
De acordo com a Polícia Civil, a suspeita trabalhava na maternidade, mas estava de folga no dia da ocorrência. Mesmo sem estar escalada para o serviço, ela entrou na unidade alegando que resolveria questões administrativas. Em seguida, vestiu roupas utilizadas pela equipe de enfermagem e circulou normalmente pelos setores da maternidade, aproveitando o conhecimento que possuía sobre a rotina do hospital.
Como aconteceu a tentativa
Segundo as investigações, a mulher se aproximou da família da recém-nascida e informou que levaria a criança para a realização de exames de rotina, como o teste do pezinho. Inicialmente, convenceu uma tia da bebê a acompanhá-la pelos corredores da unidade.
Em determinado momento, porém, afirmou que precisaria seguir sozinha com a criança. Pouco depois, entrou em um banheiro, trocou de roupa e colocou a recém-nascida dentro de uma bolsa, na tentativa de deixar o hospital sem levantar suspeitas.
Desconfiança da família evitou o crime
A ação só não foi concluída porque a tia da bebê percebeu uma mudança no comportamento da mulher e desconfiou da situação.
Ao notar que a suspeita saía do banheiro carregando uma bolsa de maneira incomum, a familiar resolveu verificar seu conteúdo. Foi nesse momento que encontrou a recém-nascida escondida dentro da bolsa e acionou imediatamente a equipe de segurança da maternidade.
A mulher foi impedida de deixar a unidade e a bebê foi recuperada sem ferimentos.
Prisão e investigação
Após o caso ganhar repercussão, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) solicitou a prisão preventiva da suspeita, que foi cumprida na quarta-feira (8).
Durante as investigações, a Polícia Civil informou que trabalha com diferentes linhas para esclarecer a motivação do crime. Entre as hipóteses analisadas estão questões relacionadas ao estado psicológico da investigada, incluindo relatos de uma possível gravidez psicológica ou de perdas gestacionais anteriores. A defesa afirma que ela realiza tratamento psiquiátrico, mas as autoridades informaram que ainda aguardam documentos médicos para confirmar essa informação.
Maternidade afirma que protocolos impediram a retirada da bebê
Em nota, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que os protocolos internos de segurança funcionaram e impediram que a criança fosse retirada da unidade.
A direção também afirmou que prestou assistência à mãe, à recém-nascida e aos familiares, além de colaborar integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Caso gera debate sobre segurança hospitalar
O episódio reacendeu o debate sobre os protocolos de identificação de profissionais, controle de acesso às áreas de internação e conferência da identidade de pessoas autorizadas a transportar recém-nascidos dentro das maternidades.
Especialistas em segurança hospitalar destacam que medidas como identificação eletrônica de bebês, controle rigoroso de acesso, monitoramento por câmeras e conferência obrigatória da equipe responsável são fundamentais para reduzir o risco de ocorrências desse tipo.
A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer completamente a motivação da suspeita e verificar se houve participação de outras pessoas na tentativa de retirar a recém-nascida da maternidade.
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