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Festival de Parintins é tema de reportagem especial do The New York Times sobre cultura amazônica
Jornal norte-americano retrata como a paixão pelos bois-bumbás influencia o cotidiano, a cultura e até as relações pessoais na ilha amazonense.

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Festival de Parintins é tema de reportagem especial do The New York Times sobre cultura amazônica
Foto: reprodução

MUNDO – A tradicional rivalidade entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido ganhou projeção internacional em uma reportagem especial publicada pelo The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo. A publicação apresenta Parintins como uma cidade onde a disputa entre as duas agremiações vai muito além do Festival Folclórico e está presente no dia a dia dos moradores.

Assinada pela jornalista Ana Ionova, com fotografias de Dado Galdieri, a reportagem foi produzida durante a cobertura do Festival de Parintins e mostra como a paixão pelos bois molda a identidade cultural da população da Ilha Tupinambarana.

Com o título “Red Bull or Blue Bull? In This Brazilian Town, You Have to Pick One” (“Boi Vermelho ou Boi Azul? Nesta cidade brasileira, você precisa escolher um”), o jornal inicia a narrativa descrevendo uma cena comum para quem vive em Parintins: bares ocupados por torcedores vestidos de azul ou vermelho, mototáxis personalizados, bancos, lojas, faixas de pedestres e até latas de cerveja identificadas com as cores dos dois bois.

“Em Parintins, permanecer neutro não é uma opção”, resume a reportagem ao retratar a intensidade da rivalidade.

Rivalidade faz parte da identidade da cidade

Para mostrar como essa tradição é transmitida entre gerações, o jornal ouviu moradores da cidade. Uma das entrevistadas foi Kellen Pinto, de 48 anos, que afirmou ter crescido em uma família apaixonada pelo Festival.

“Se você nasce aqui, ou é vermelho ou é azul. Você tem que escolher”, declarou ao periódico.

O texto destaca que, diferentemente de outras cidades brasileiras, a principal divisão entre os moradores não está ligada ao futebol ou à política, mas à devoção pelos dois bois-bumbás.

Segundo a publicação, os cerca de 100 mil habitantes de Parintins convivem diariamente com uma rivalidade que influencia costumes, amizades e até o comércio local.

Reportagem relembra origem dos bois

O periódico também apresenta aos leitores a história do Festival de Parintins e a origem das duas agremiações.

De acordo com a reportagem, o Garantido surgiu em 1913, quando uma família passou a utilizar um grande boneco de boi branco para entreter crianças da vizinhança, formada por pescadores e descendentes de africanos escravizados.

Já o Caprichoso nasceu no mesmo período, criado por outra família durante as celebrações do fim da colheita. Segundo o jornal, o boi preto representava o cumprimento de uma promessa feita por irmãos que migraram do Nordeste brasileiro em busca de melhores condições de vida na Amazônia.

Paixão ultrapassa o Bumbódromo

O The New York Times destaca que a rivalidade não se limita às apresentações no Bumbódromo.

A reportagem relata que existem famílias que evitam pronunciar o nome do boi rival, moradores que decoram completamente suas casas com apenas uma das cores e pessoas que não permitem a entrada de visitantes vestidos com as cores da agremiação adversária.

Entre os entrevistados está Ivanete Vieira da Silva, de 86 anos, torcedora do Caprichoso.

“Ninguém escolheu o outro, graças a Deus”, afirmou ao jornal.

Sua sobrinha, Alessandra Lopes, contou que a tradição familiar foi passada para os filhos.

“Foi assim que aprendemos. E passei isso para os meus filhos”, disse.

Representando o lado vermelho, o coordenador artístico do Garantido, Telo Pinto, também ressaltou a importância histórica da associação.

“Nosso boi é autêntico, tem história. Ele representa verdadeiramente o povo”, declarou.

Cultura que encanta o mundo

A publicação também mostra que a rivalidade faz parte da vida afetiva dos moradores. Casais relataram ao jornal que as diferenças entre Caprichoso e Garantido já provocaram discussões e até separações, embora o respeito à tradição prevaleça na maioria dos casos.

Ao concluir a reportagem, o periódico destaca que a disputa é vivida como uma grande celebração da cultura amazônica.

O jornal descreve o Festival de Parintins como um espetáculo que reúne milhares de pessoas durante três noites no Bumbódromo, marcado por alegorias monumentais, música, dança e fortes referências à cultura indígena e aos povos da Amazônia.

Na cobertura da primeira noite, o The New York Times relata que o Caprichoso levou à arena apresentações inspiradas em heróis amazônicos, seres da floresta e guerreiros indígenas, enquanto o Garantido apresentou cenas do folclore regional com grandes alegorias mecânicas, incluindo onças e serpentes, destacando a grandiosidade do festival reconhecido internacionalmente.

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