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Família de vítima do Covid-19 pede ajuda para manter irmãos órfãos em Manaus
"Ela nem chegou a ver o rostinho do Bernardo", disse a irmã de Eliane Ramos, que lutou durante 30 dias e enfrentou uma parto cesário para salvar o filho

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Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Manaus – Hoje, 17 de maio, o Repórter Manaós tem a missão de contar para você leitor com exclusividade, a triste história da jovem mamãe que não chegou a conhecer o rostinho do próprio bebê, Eliane Ramos Rodrigues, de 29 anos, perdeu a luta contra o Covid-19, na última quinta-feira (14), após 30 intensos dias em um dos leitos do Hospital Adventista, em Manaus. A auxiliar de produção estava grávida do segundo filho, que completou 30 dias de nascido. O vírus também deixou órfão de mãe o filho mais velho dela, Guilherme, de 7 anos.

Em uma conversa emocionada por telefone com a irmã de Eliane, dona Maria José Ramos Rodrigues, contou como a irmã era doce e estava ansiosa pela chegada do novo membro da família. “Essa doença pegou todo mundo de surpresa ela estava com oito meses e meio quando ficou internada e foi para a intubação. O parto teve que ser cesáreo para salvar a criança. Ela nem chegou a ver o rostinho do Bernardo. Minha irmã era tudo para mim. Minha bonequinha, minha princesa, companheira. Hoje ela não está mais aqui, é difícil acreditar”, disse emocionada a Oficial de campo, de 41 anos, que está com a guarda das crianças.

“Hoje eu sou tudo o que eles têm. Sou a tia e a mãe. E eles são os meus amores. Não vou abandonar nunca. Em meio essa dor acabaram sendo meu presente”, relevou dona Maria.

Agora ela pede ajuda para conseguir manter as crianças e no momento está contando com a compreensão de amigos e estranhos que de alguma forma doam o pouco que tem. “Nós somos de família humilde. Para enterrar a Eliane nós não tínhamos dinheiro. A funerária cobrou caro para um caixão simples e na hora não tínhamos esse dinheiro. Foi nesse momento que os amigos de verdade apareceram. Ajudaram, fizeram cotinha e até cartão nos emprestaram. Minha irmã não teve tempo de preparar o enxoval do Bernardo”, revelou.

Que continuou dizendo que hoje a principal ajuda é para manter as crianças. “Precisamos de ajuda. O Bernardo não tem nada. Conseguimos comprar uma mamadeira de R$ 40. Ganhamos uma bacia para pôr as roupinhas dele. Preciso comprar leito, fraldas e roupinhas. Então peço, quem puder nos ajudar, doando esses mantimentos, e material de construção. Eu quero levantar um quartinho para eles aqui aonde moramos [bairro Aleixo]. Eu agredido nas pessoas boas desse mundo, por favor! ”, implorou a irmã enlutada.

“Uma amiga da Eliane pediu para publicar no Facebook um pedido de ajuda. Muita gente está ligando, mas até agora nada. Eu não me sinto incomodada. Nós estamos precisando de qualquer coisa. Sabe, queremos criar as crianças com o caminho de Deus. O Guilherme tem um pai reconhecido, já o Bernardo, não sabemos quem é, mas isso não vai mudar o amor que eu sinto por eles. São meus meninos. Muita gente pergunta se vamos colocar as crianças para adoção, e a nossa resposta é não. Vamos criar como se fossem nossos”.

Dona Maria conta que Guilherme, é um rapazinho esperto e já entendeu que a mãe faleceu. “Ele ora, agradece a Deus por ter levado a mãe dele. Ele diz – Obrigado papai do céu por ter levado a minha mãe e não deixar ela sofrendo aqui nesse mundo – Isso me deixa mais segura”.

“Eu só estou pedindo ajuda. O dinheiro que temos, eu e meu marido só dá para nos sustentar. Ainda tem as nossas filhas. Moramos em um terreno cedido. Só queremos ajuda. Por favor.”

Nas últimas 24 horas, a capital amazonense registrou 23 óbitos para o novo Coronavírus, ontem (16), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), divulgou 44 óbitos pela doença, elevando para 1.374 o total de mortes no Amazonas. Em meio ao todo esse caos, histórias vão ficando pelo caminho. Vidas estão perdendo a guerra contra o vírus assassino, cruel e que não escolhe classe social, sexo e nem idade. Fazendo famílias sentirem a dor luto interminável de não poder ver os rostos dos seus entes queridos. Não há última despedida. Não dá tempo.

Quem puder ajuda a família da dona Maria José Ramos Rodrigues, pode contribuir com qualquer valor depositando na conta abaixo:
Banco Santander
Agência: 4539
Conta Corrente: 01050964-4
CPF: 767.655.712 – 72
Ou ligar para o telefone: (92) 98448-6587.

Vamos ajudar?

Por Suzana Martins – Repórter Manaós 

1 COMENTÁRIO

  1. Desejo ajudar sim.Copiei o nome da tia,conta e banco.Vou entrar em contato com ASA, órgão do Serviço Social da igreja Adventista do 7Dia daí de Manaus,que faz parte da ADRA,pelo menos vou tentar achar o número do telefone pra contato,uma vez que as igrejas estão fechadas.Pretendo,colocar uma pequena ajuda mensal de 100,00 reais/mês.

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