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Lixo hospitalar do coronavírus vira bomba-relógio da doença
Pesquisas apontam que o novo coronavírus pode sobreviver por cerca de 72 horas em superfícies

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Foto: Felipe Larozza/Flickr

O volume de resíduos hospitalares gerados pelo coronavírus vai ampliar em pelo menos quatro vezes a quantidade atual desses materiais produzida em todo o País, uma situação que ameaça travar completamente a capacidade de tratamento desse lixo contaminado. O alerta da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren) foi enviado ao Ministério da Saúde na última quinta-feira, 23, por meio de um relatório técnico que analisa os desdobramentos da covid-19 no setor.

Hoje, o Brasil tem capacidade de processar, anualmente, 480 mil toneladas de lixo hospitalar, material conhecido como “resíduos de serviços de saúde”. Todos os anos, hospitais, clínicas e laboratórios produzem cerca de 253 mil toneladas desse lixo. A multiplicação desse volume por quatro, portanto, deixaria um passivo enorme de material contaminante sem tratamento no curto prazo.

O problema ganha dimensões ainda mais alarmantes quando considerado que, atualmente, milhares de toneladas de lixo contaminado com vírus da covid-19 são produzidas em casas por todo o País, onde pacientes da doença estão isolados, em tratamento. Sobre a dimensão desse lixo, sequer há estimativas aproximadas de quantidade, uma vez que não se sabe, afinal, quantas pessoas contaminadas pelo coronavírus estão em suas casas.

“Qualquer hospital, laboratório ou clínica do País segue um protocolo rígido de recolhimento, tratamento e descarte desse lixo. Sobre esse aspecto, há uma preocupação com a capacidade de processamento do País. De outro lado, nossa preocupação é com a parte domiciliar, que simplesmente não se sabe como está essa questão do lixo, não há um protocolo sendo aplicado”, diz o especialista Walfrido Ávila Ataíde, membro da Abren.

Pesquisas apontam que o novo coronavírus pode sobreviver por cerca de 72 horas em superfícies. Um lixo produzido por uma pessoa contaminada, em sua residência, tem potencial de se espalhar por todo lixo onde esse material for alocado. No caminho até os aterros, passa pelas mãos de garis e, em muitos casos, coletores de reciclagem, sendo manuseados por pessoas.

Em um hospital, a média de lixo hospitalar gerada por cada leito é de cerca de meio quilo por dia. Em uma residência, esse volume pode ser ainda maior, por casa do contato com mais produtos e embalagens.

“Imagine que isso pode se espalhar por esses trabalhadores e, no limite, chegar a comprometer o recolhimento de lixo das cidades se houver uma propagação entre essas pessoas que seguem trabalhando para atender a população”, comentou Ataíde. “É preciso que haja ação do governo nessa área, uma orientação à população, que deve ficar mais atento a essas questões.”

Fonte: Jornal de Brasília 

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