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Pai de voluntário no combate à COVID-19 morre com suspeita da doença
Adriano Araújo, integrante do Conaten/Cofen, estava embarcando para o Amazonas, quando recebeu a notícia

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Adriano Araújo íntegra o Conaten/Cofen e recebeu a notícia quando embarcava para Manaus, que enfrenta colapso sanitário

Um enfermeiro que se voluntariou para trabalhar no enfrentamento ao coronavírus em Manaus perdeu o pai, que estava com sintomas da doença, no mesmo dia em que viajou para a capital do Amazonas. Apesar do luto, Adriano Araújo, de 49 anos, resolveu manter seu compromisso de ajudar no combate à doença em um dos estados mais afetados pelo colapso na rede de saúde.

“Na hora eu fiquei sem chão, sem saber o que fazer. Mas, como não daria tempo de ir para o Maranhão me despedir, resolvi seguir em frente e trabalhar para que outras vidas sejam salvas”, contou o enfermeiro.

Adriano embarcou na noite do último domingo (03) no Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek, em Brasília. O telefone dele tocou quando ainda estava em frente ao portão de embarque. Do outro lado da linha veio a notícia de que seu pai acabara de morrer, na zona rural de São Luís. José Pereira da Silva, de 86 anos, não chegou a fazer teste para Covid-19 e sequer teve material coletado para exame. Em seu atestado de óbito, foi anotado que a causa da morte foi Síndrome Respiratória Aguda Grave.

O enfermeiro conta que conversou com o pai pela última vez há na manhã daquele dia. Na ocasião, ele explicou que passaria uma temporada em Manaus, trabalhando diretamente com pessoas infectadas pelo coronavírus, e foi incentivado a encarar seu maior desafio profissional até o momento.

“Eu contei que este trabalho tem um risco, mas que isso faz parte do que escolhi como profissão. Meu pai pediu para Deus me abençoar e proteger, disse que nada iria acontecer comigo. Eu me lembrei dessas palavras enquanto ainda assimilava que ele tinha morrido. Por isso mantive meu compromisso com a profissão, eu fiz um juramento de me dedicar quando as pessoas mais precisarem”, afirmou.

O Amazonas possui a segunda mais alta taxa de incidência de Covid-19 no Brasil, com 2.230 infectados por milhão de habitantes. Ao todo, 751 morreram por causa da doença no estado. Este é o quadro que Adriano vai enfrentar.

Desde segunda-feira (04), ele participa de uma capacitação em Manaus. Trata-se de um treinamento obrigatório pelo qual estão passando 267 profissionais de saúde que se cadastraram no site “O Brasil Conta Comigo” e que foram contratados pelo Ministério da Saúde.

“Eu lembro do meu pai neste processo todo, das coisas que ele me falou. Mas procuro manter a concentração, não perder o foco, ficar calmo e seguro. É uma situação inédita no mundo, nenhum profissional passou por uma pandemia como essa, então temos que buscar conhecimento científico para enfrentar o inimigo”, disse.

O enfermeiro deixou a mulher e três filhos em Brasília. Além da família, ele também deixou um emprego para trás. O enfermeiro já havia aceitado uma proposta de trabalho e teve que ligar para a diretora do hospital para informar que não assumiria o cargo na segunda-feira (04). “Ela entendeu e me deu apoio, sabe que é importante o que estou fazendo”, contou.

Apesar de estar longe de casa para uma missão de risco, o enfermeiro afirma que se sente amparado para seguir no combate à Covid-19. Ele relata ter recebido dezenas de mensagens de apoio e incentivo, entre elas, uma especial que foi feita durante o vôo de Brasília para Manaus.

O comandante da aeronave pediu, no sistema de som do avião, que os voluntários de “O Brasil Conta Comigo” ficassem de pé. Em seguida, leu uma mensagem para os profissionais de saúde e fez um pedido aos demais passageiros do vôo. “Esses brasileiros são heróis anônimos que trocaram a capa por jaleco. Por isso pedimos uma grande salva de palmas”, disse o comandante.

“Foi uma mensagem que nos emocionou muito. Nós choramos com aquilo e foi bacana para saber que não estamos sós”, disse o enfermeiro.

Fonte: Época

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