Início Cultura Três gerações de pajés emocionam o Sambódromo no Bar do Boi

Três gerações de pajés emocionam o Sambódromo no Bar do Boi

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Entre os momentos mais aguardados e ovacionados da noite esteve o encontro histórico de três gerações de pajés do Boi Caprichoso: Waldir Santana, Netto Simões e Erick Beltrão. Pela primeira vez, os três artistas dividiram o palco, em uma apresentação conjunta que emocionou o público e simbolizou a construção e a evolução do Item 12 ao longo dos anos.

A entrada dos pajés aconteceu ao som da toada “Tempo de Monã”, com os três evoluindo lado a lado. Em seguida, cada um apresentou sua performance individual, em um espetáculo marcado por memória, emoção e representatividade.

Ex-pajé do Caprichoso entre 1992 e 2016, Waldir Santana destacou a emoção de reviver momentos marcantes de sua trajetória no boi. Em sua apresentação individual, ele trouxe a toada “Profética”.

“Eu me sinto muito honrado, principalmente quando se trata do Caprichoso e do Movimento Marujada. Passa na minha cabeça milhões de toadas e rituais que vivi. É um trabalho difícil, não é só colocar uma indumentária, é dedicação, estudo, é mergulhar no mundo místico dos povos originários. Estou emocionadíssimo. Foi uma noite fantástica”, afirmou.

Responsável pelo item entre 2017 e 2020, Netto Simões também destacou a emoção do reencontro com a torcida azulada e a simbologia do momento. Ele se apresentou com a toada “Waiá-Toré”, uma das mais marcantes de sua trajetória.

“Fico sem palavras para descrever esse sentimento. Poder reencontrar a nação azul e branca, subir novamente ao palco e viver esse momento com quem me antecedeu e quem me sucedeu é algo indescritível. É como se fosse a primeira vez. Estou muito feliz por fazer parte desse encontro histórico”, declarou.

Atual pajé do Caprichoso, Erick Beltrão, que defende o item desde 2020, também ressaltou a importância de dividir o palco com nomes que ajudaram a construir a história do item. Ele subiu ao palco cantando um trecho da toada “Unankiê: Um Lamento Amazônico” e, em seguida, evoluiu com “Mothokari”.

“Dividir o palco com o Waldir Santana, essa lenda, e com o Netto Simões é uma satisfação muito grande. Todos tiveram sua importância no item. Hoje carrego essa responsabilidade de representar os povos originários, e esse momento foi de muita emoção. Espero que a nação tenha matado um pouco a saudade desses grandes pajés”, afirmou.

A programação contou ainda com apresentações dos toadeiros Ornello Reis, Júlio Persil, Márcio do Boi, Edmundo Oran, Diego Brelaz e Paulinho Viana, além da participação da Marujada de Guerra (Item 3), do Corpo de Dança Caprichoso (CDC) Manaus e da Raça Azul.

Outro destaque da noite foi a condução do espetáculo pelo apresentador Edmundo Oran, que contou com a participação especial de Renato Freitas, ex-levantador de toadas do Caprichoso. No encerramento, Oran protagonizou um momento marcante ao improvisar um “Boi de Rua” no Sambódromo, com o Boi Caprichoso descendo para o meio da galera e interagindo diretamente com o público.

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