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Pesca, plástico, aquecimento global e óleo são ameaças para tartarugas

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Soltura de filhotes de tartarugas monitorados pelo Projeto Tamar / Fernando Frazão/Agência Brasil

Cinco das sete espécies de tartarugas marinhas desovam na costa brasileira e todas elas estão ameaçadas de extinção. Foi com a meta de reverter esse cenário que um grupo de estudantes de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) criou em 1980 o Projeto Tamar, que deu início neste fim de semana às comemorações de seus 40 anos. Mesmo diante de ameaças cotidianas, estudos científicos já são capazes de apontar uma melhora do cenário.

De acordo com dados do Projeto Tamar, há uma tendência de recuperação das populações de tartaruga-cabeçuda, tartaruga-de-pente, tartaruga-oliva e tartaruga-de-couro. Já a população de tartaruga-verde apresenta atualmente sinal de estabilidade. Ainda assim, a tartaruga-de-couro e a tartaruga-de-pente estão em estado crítico, conforme a lista vermelha de espécies ameaçadas elaborada pela União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Entre as outras quatro, algumas são classificadas como em risco de extinção e outras como vulneráveis.

Pesca incidental

A pesca incidental, sobretudo durante o arrasto do camarão, é considerada atualmente a principal ameaça a essas populações. Estudos realizados pela organização não-governamental Conservação Internacional (CI) em parceria com universidades dos Estados Unidos já estimaram que 85 mil tartarugas marinhas capturadas em todo o mundo incidentalmente morreram ao longo das décadas de 1990 e 2000.

No Brasil, uma pesquisa conduzida na Universidade Federal Fluminense (UFF) pela bióloga Suzana Machado Guimarães acompanhou quatro barcos entre julho de 2010 e dezembro de 2011. Foram capturados nesse período 44 animais, o que aponta para uma taxa de 5,3 tartarugas afetadas a cada mil horas de pesca.

O Tamar desenvolve programa específico que inclui educação ambiental e orientação aos pescadores, além de desenvolver novos recursos e petrechos que possam minimizar as mortes. Foi desenvolvido, por exemplo, o chamado anzol circular em substituição ao anzol em forma de J.

“Fizemos um corpo a corpo com as empresas de pesca industrial que trabalham, por exemplo, com captura de atum. Conseguimos que elas aderissem antes mesmo que viesse a regulamentação. Nós provamos que não afetava a pesca da espécie alvo, além de ser benéfico a elas já que faziam um esforço grande quando capturavam tartaruga. Essa mudança reduz em 70% a captura das tartarugas neste tipo de pesca. Então, todo mundo ganha”, diz a oceanógrafa Neca Marcovaldi, coordenadora de pesquisa e conservação do Projeto Tamar e uma das fundadoras da iniciativas.

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