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Valorar e valorizar

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Foto: Divulgação

Valorar é diferente de valorizar. Segundo Mota (2001), valorar significa emitir juízo de valor, multidimensionalidade, intangibilidade, bio e ecocentrismo, além de incorporar forte doses metafísicas e transcendentais. Por outro lado, valorizar significa atribuir um preço, unidimensionalidade, tangibilidade, utilitarismo e antropocentrismo. Essa confusão entre valor e valorizar tem influência direta sobre o desenho de políticas para a proteção e cuidado da Amazônia. Em relação aos ativos ambientais e naturais, o autor sustenta que o Valor Econômico Total (VET) é o resultado da soma de três outros valores, quais sejam: valores de uso, de opção e de existência. Cada um deles ainda se subdivide indicando que o VET é o resultado de uma compreensão ampla e complexa de cada indivíduo sobre esses ativos. Considerando-se que políticas públicas para a proteção da Amazônia devem levar em conta seus benefícios e custos, é necessário que se busque entender como, objetivamente, os indivíduos formam suas percepções de valoração e valorização para tomar suas decisões.

Em relação à construção dessas percepções ao ambiente, Tuan (2015) exemplifica utilizando a superfície terrestre. A superfície da terra é extremamente variada. Mesmo um conhecimento casual com sua geografia física e a abundância de formas de vida, muito nos dizem. Mas são mais variadas as maneiras como as pessoas percebem e avaliam essa superfície. Duas pessoas não veem a mesma realidade. Nem dois grupos sociais fazem exatamente a mesma avaliação do meio ambiente. A própria visão científica está ligada à cultura – uma possível perspectiva entre muitas…., a abundância desnorteadora de perspectivas, nos níveis tanto individual como de grupo, torna-se cada vez mais evidente; e corremos o risco de não notar o fato de que, por mais diversas que sejam as nossas percepções do meio ambiente, como membros da mesma espécie, estamos limitados a ver as coisas de uma certa maneira.

A construção do valor da Amazônia teve início quando os primeiros exploradores espanhóis adentrarem a floresta em busca do Eldorado. Nessa sequência histórica, veio o ciclo da borracha que teve importantíssimo papel não só para a região, mas também para toda a economia brasileira. Projetos como o da Fordlandia em 1927 contribuíram para que essa noção de riqueza fosse ampliada. Mais recentemente, durante o governo militar, várias ações foram implementadas buscando fazer com que a região com todo o seu potencial se integrasse ao restante da economia nacional. A exploração de recursos madeireiros, ouro e pedras preciosas foram por muito tempo a principal referência de riqueza.

A partir da década de 1960 a questão ambiental começou a tomar forma no mundo por meio da publicação Silent Spring (Carson, 2013). Mais tarde em 1989, com a publicação da matéria Torching the Amazon pela revista Time que abordava a questão relacionada ao seringalista Chico Mendes e o aumento das queimadas na região com a consequente ameaça à floresta e seus animais, o Brasil e, em especial a Amazônia,  passou a ser visto com outros olhos em relação ao quesito meio ambiente.

Como mencionado, esses e outros fatos foram moldando a percepção sobre a Amazônia e indicando que havia uma espécie de dilema: uma região potencialmente rica, porém ameaçada. O avanço dessa percepção por meio de contínua carga de informações parciais e/ou imperfeitas sobre o que nela acontecia, fez crescer a percepção por parte do grande público, tanto nacional quanto internacional, que havia uma potencial ameaça que fazia com que a região passasse a ser mais e mais percebida como um recurso que, de alguma forma, tornava-se cada vez mais escasso.

Fonte: Maskate News

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